O Vereador progressista Paulinho Alves, participou na última quarta-feira, 03, do Seminário do Movimento Nacional em defesa da Energia Elétrica produzida através do Carvão Mineral.
A cadeia produtiva do carvão foi o tema central que permeou o debate entre os presentes.
O seminário proposto pelo vereador Caio Ferreira, foi dividido em quatro painéis. No primeiro, foi debatido pela articulação política a importância da exploração do minério para a região.
Um dos convidados da mesa, o deputado federal Afonso Hamm, presidente da frente parlamentar do carvão, destacou a importância da criação de políticas que contemplem essa matriz. “Não queremos apenas participar do leilão. Precisamos de políticas de médio e longo prazo para solucionar esta questão da energia no país”, explicou ele, referindo-se ao leilão de energia A-5, que desta vez incluirá a energia termelétrica. A inclusão da matriz é buscada desde 2009 por articulações da região, favoráveis à exploração do carvão.
Para o deputado, é urgente a necessidade de tornar a matriz energética competitiva, já que sua exploração trará no encalço grande desenvolvimento para a região. “Atualmente, o Rio Grande do Sul importa mais de 70% da energia que consome. A previsão é de que em 20 anos, o Brasil precise duplicar sua produção energética. Enquanto isso, nós temos toda essa riqueza no subsolo, riqueza de oportunidades”, defende.
Quem abriu o segundo painel, focado na área técnica da cadeia produtiva, foi o engenheiro mecânico Luciano Vacilotto. Em sua fala, chamou a atenção para uma das questões que pode ser um empecilho na possível instalação de novas usinas termelétricas na região. “A falta de mão de obra qualificada pode se tornar um gargalo. Hoje existem poucos profissionais no mercado que são capacitados para atuar na área da cadeia produtiva do carvão”, conta.
Para ele, uma das alternativas para evitar isso seria a criação de novos cursos com ênfase nesse setor. Instituições de ensino técnico e superior da região, como IFSul, Urcamp, Unipampa, Senac e Senai poderiam suprir esta demanda com mão de obra qualificada da própria região.
Já o engenheiro e diretor–presidente da Companhia Riograndense de Mineração, Elifas Simas, abriu um panorama sobre as possibilidades advindas de uma maior exploração do mineral na região.
Com dados precisos, mostrou aos presentes o cenário atual da cadeia produtiva. Segundo a pesquisa apontada por ele, o Rio Grande do Sul possui 89% das reservas de carvão do país.
Porém, apenas 1,3% é explorado. “Cerca de 74% da demanda de energia elétrica nacional é suprida por hidrelétricas. Nosso plano decenal é de que até 2020 consigamos elevar a exploração do carvão para 4,8%, totalizando 730GWh”, conta.
Falou ainda sobre a transformação que pode ocorrer, caso as termelétricas vençam a licitação. “Serão 13 milhões de toneladas a mais de carvão, com arrecadação de R$ 16 milhões de arrecadação da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais – CFEM, o que daria um retorno de cerca de R$ 10 milhões para os municípios produtores”, explica.
O diretor-presidente da CRM adiantou ainda que está previsto para os próximos dias a assinatura de protocolo de intenção entre a companhia e a empresa MPX.
Representando a CGTEE, o engenheiro Francisco Porto afirma que a energia termelétrica é uma alternativa viável para garantir a produção de energia nacional. “O país deve dizer o que espera. E o que ele quer agora, e precisa, é de segurança energética. Para isso, deve-se ter uma matriz diversificada, não apostar somente em um filão, deve-se abrir um leque de opções”, garante.
Logo após, o painel temático foi encerrado com a participação do engenheiro eletricista Mirabeau Borba dos Santos. Encarregado de falar sobre a energia eólica, lançou aos presentes no seminário um breve relato histórico sobre essa forma de energia, conhecida como “limpa”.
Segundo ele, tanto a região Sul quanto a Nordeste possuem um grande potencial para exploração dessa matriz, já que possui as características necessárias para a implantação. Porém, o alto custo deste tipo de exploração pode dificultar a utilização dessa matriz. Mesmo assim, ela se apresenta como uma forma viável de substituição para energia “limpa”. “A pior energia é aquela que a gente não tem”, finaliza.
A mobilização pró-carvão não é de hoje.
A região da Campanha possui uma das maiores jazidas do mineral de todo o Brasil. Apenas em Candiota concentra-se 38% da reserva do mineral. Os políticos alardeiam que a região está, literalmente, em cima de uma mina de ouro, defendendo que a exploração irá beneficiar todo o Estado, que contará com maior potencial energético, e também as cidades do entorno, que se beneficiarão com o desenvolvimento advindo da prática.
No último mês, o grupo pró-carvão comemorou a decisão do Ministério de Minas e Energia de incluir a energia termelétrica no leilão A-5. A confirmação deve ter reflexos positivos para a região da Campanha, pois traz à pauta novamente diversos projetos, que juntos somam R$ 6,5 bilhões de investimentos para a região, como a instalação da MPX (do empresário Eike Batista) em Candiota. Outros dois projetos já possuem liberação ambiental, estavam apenas aguardando um sinal verde do governo para iniciar as obras. Orçada em R$ 3,5 bilhões, a termoelétrica MPX Sul tem capacidade para gerar 727 megawatts (MW). A MPX UTE Seival, também em Candiota custará R$ 3 bilhões, gerando 600 MW.




Nenhum comentário:
Postar um comentário